Entre passos e compassos!

As vezes eu erro.

Ou melhor: as vezes eu acerto.

E o que eu entenderia por acerto se não fossem meus diversos “erros”? Na verdade para mim esse erro do processo de aprendizagem não deveria se chamar “erro”. E sim processo. A palavra erro nos faz ansiosos para o acerto e desta forma tendemos a queimar etapas, a não ouvir a musica, o canto dos pássaros, o ronco do estomago… Eu vejo em mim e em meus alunos aquilo que imprimimos em nossos corpos ao longo de nossas vidas. E essa impressão nos faz transformadores de nos mesmos e de nossas vivencias. Mas o processo de transformção está ligado inclusive à transformação do que está impresso em nossos corpos.

Sabe o que isso que dizer Paulinha, Drica, Dri e todos meus pupils?! QUE TEMOS HISTÓRIA DE VIDA E CORAGEM.

Vida vivida e experimentada até os poros e muita, muita vontade de mudar ou apenas de crescer (=novos aprendizados, novos conceitos).

Isso quer dizer que topamos o maior desafio da vida: topamos nos reconstruir diariamente com informações novas, conceitos novos, desafiando nossos preconceitos corporais, culturais e intelectuais.

Ontem na aula da tarde a Raquel disse que o mais difícil no ballet para ela era o “não sentar” – e eu pensei nossa para mim o mais difícil é não parar de pensar em mim mesma e no meu corpo… e rendeu uma conversa sobre o pensar durante o exercçiio e minha brilhante e linda Élida concluiu: é que temos que “vir pensadas para o ballet”.

A aula de ballet acontece antes do primeiro exercício. Ela acontece no meu raciocínio primeiro. Pois meus movimentos corporais, musculares, osseos, de respiração, tradução em dança e em arte precisam ser pensados.

Por isso que eu digo e repito, o ballet traz em sua essencia um certa possibilidade terapeutica, pois no momento em que estamos para o ballet estamos paenas para nós mesmas: pensar apenas em nosso corpo, em nosso movimento, na comunicação do nosso sistema nervoso central e sua conexão com nossos musculos, tendões, articulações…

Se a gente pensa em outra coisa, “viaja” e nada dá certo.

Por isso que o ballet vicia. Pois nos faz afinar conosco mesmo, com nossos desafios mais intimos. Por isso amizadas feitas nessas salas de aula são eternas…

um beijo doce e iluminado no coração de todas e todos,

Tia Ká

Ensaio para "About me, about us"- pas de deux iniciante.
"About me, about us" - na apresentação no Hotel Cambridge - 13/maio/2010

17 thoughts on “Entre passos e compassos!

  1. Rachel Monteiro says:

    Ai ti fofa, lembrou de mim! Se prepara que hoje estou inspirada…

    Entendi perfeitamente o post e posso resumir com suas próprias palavras: ballet é estilo de vida.
    É crescer a nuca (como se tivesse uma cordinha) nas festas para ser vista, é cruzar a perna e forçar o colo de pé da perna de cima pra ficar mais bonito, é abrir o peito e fechar as costelas pra crescer ao mesmo tempo que a cintura afina e a gente entra no eixo… ou, pelo menos, tudo isso é a idéia do ballet que se reflete no nosso cotidiano.
    Nos deixa mais bonitas, mais felizes e, trazer o ballet pra vida, melhora nosso rendimento. Não há nada melhor que ouvir alguém dizer que temos jeito de bailarina (e esse jeito de bailarina é um “check list” de pelo menos 20 itens que a gente tenta pensar o tempo inteiro!).
    Alguém que não conheça a magia deste mundo pode ler tudo isso que eu escrevi e pensar “Nossa que escravidão, que chatisse, prefiro ser livre”, mas eu acredito que até para se viver a liberdade em sua plenitude é necessário o cumprimento de certos requisitos (esse trecho saiu meio jurídico, né?) e é por isso que amamos fazer ballet, pois é ele que nos deixa em contato com a nossa liberdade, que nos faz lembrar que temos um corpo e ele pode sim, no meu caso com muito esforço, fazer muito mais do que imaginamos ser possível, pode ser belo, pode dançar… E quem me mostrou tudo isso, foi você, Karen, antes mesmo de nos conhecermos e eu ser sua aluna, por meio deste mesmo blog.

    Bjo e até sexta na aula de pontas! 🙂

    • BalletAdultoKR says:

      Acabei de escrever para a Paulinha…

      Eu não me arrependo nem um momento, sejam eles quais forem de ter feito essa escolha. Vocês me instigam a crescer e a ir em busca do conhecimento e da troca para isso aí acontecer.
      Ai a maestria, que profissão mais rica! Ai o ballet que arte mais inspiradora…

      Amo vc Chel!!! Até sexta!!!

      um grande beijo iluminado no coração,

      Tia Ká 😀

  2. Paula Bambino says:

    Aaaaii gente, hoje eu estou uma “manteiga derretida”, acho que é culpa da TPM… Chorei com o post e com os comentários… Que lindo o seu comentário, Rachelzinha, estava realmente inspirada!! Eu concordo, ballet é um estilo de vida, sempre ficamos “de orelha em pé” com a nossa postura, com o caminhar, com o calcanhar quase não tocando no chão… O Dedé diz que já tenho jeito de bailarina, disse que estou mais “expressiva”, até com as expressões faciais da Tia Ká, levo isso como um mega elogio, fico vermelha, sem-graça, mas amo ouvir! A Tia Ká diz que naturalmente o ballet “entra” na gente, mas a verdade é que eu me atirei nele no momento em que conheci a Maestra Karen Ribeiro. Eu pretendo continuar a dançar até quando Deus permitir!
    O ballet e a Tia Ká trouxeram mais cor à minha vida, algo indescritível nesse momento (ok, bebi duas taças de vinho…), só posso dizer que sou muito, muito mais feliz!! Talvez, num futuro próximo, eu esteja inspirada para deixar registrado aqui todos os benefícios, mas enquanto esse momento não chega gostaria apenas de agradecer do fundo do meu coração por todos os minutos ao lado da maravilhosa Maestra Tia Ká! A quem desejo todo o sucesso do mundo, já disse que quero tê-la para sempre perto de mim, minha amiga-irmã-tia-doc!!
    Beijinhos e até sexta! Chega logo sexta! Rs.
    Paulinha

    • BalletAdultoKR says:

      Cada palavra uma lágrima… mas nõa lagrima de sofrimento, e sim de emoção…

      A menina que chegou tímida e ainda tem vergonha de deixar a elengancia natural que tem e o maior e mais gostoso sorriso deste studio acontecerem dá banho de sofisticação e e inteligencia corporal. Tranforma seus movimentos de forma elegante e precisa.

      Querida Paulinha, meu anjinho da guarda, obrigada pela amizade, pelo carinho e mais: por me permitir ser sua “maestra”.

      beijo iluminado no seu coração pupil,

      Tia Ká

  3. Gabriela says:

    Eu desde criança fui bailarina e parei pra fazer faculdade… depois de sete anos parada voltei a dançar…
    Quando se é nova demais é muito dificil entender a essencia da dança, e muitas vezes se faz pela obrigação… E nesta minha volta descobri que muito mais do que pensar… Ballet é sentir… não adianta nada pensar se vc não puder sentir o seu corpo e tudo de bom que a dança traz… nessas horas até a dor é compensadora…
    Adorei o Blog… depois da uma passadinha no meu que é só sobre dança!
    Beijo

  4. Elizabeth Sartori Ferreira says:

    Sou super iniciante, fui a 5 aulas apenas, mas quando estou lá, naquela sala, com a maestra tia Ká (rs), com as pessoas, não sei…é uma energia muito boa, que precisava em minha vida…parece que tudo melhora, parece que consigo me concentrar mais, parece que eu não preciso pensar em mais nada…e ao final da aula saio mais confiante, mais relaxada (por incrível que pareça) e simplesmente mais feliz.
    Agradeço a minha querida Paulinha Bambino que me indicou esta “terapia”em forma de dança e arte e a tia Ká que me incentivou desde o primeiro dia, me ajudando a ter coragem para fazer algo que nem na minha tenra infância não tive a oportunidade de fazer.

    Beijos e sucesso para todas nós!

    Bethinha

    • BalletAdultoKR says:

      Querida beth…. oinnngggg!!!!

      Tão linda… tão bailarina, tão suave e naturalmente sofisticada!!!
      5 aulas que já parecem mais pois o movimento está entrando no conjunto musical e corporal!!!

      Beijos doces e iluminados em seu coração,

      Tia Ká

  5. Dru says:

    Olá! Depois de 13 anos longe do Ballet, resolvi voltar no início desse ano. Desde esse tempo, estou acompanhando o blog. Tenho adorado! Minhas aulas são bem longe das aulas da tia Ka (desculpe a intimidade, mas achei muito fofo), estou em Salvador/BA, mas os comentários são universais!

    Grande abraço,

    Dru

    • BalletAdultoKR says:

      Olá Dru!!!

      Ai que gostoso!!!! Amei o carinho e a intimidade!!!! e o fato de considerar universal nossas construções!!!!

      beijo grande e iluminado no coração,

      Tia Ká ( e vai que vc vem passar férias por aqui e faz umas aulinhas…. eeeeeeeeee \o/)

  6. Karin says:

    Mesmo depois de tantos anos em sala de aula (e alguns fora dele também), ainda me sinto muito iniciante, mesmo nesse processo do “pensar”, que é tão fascinante. Oi Tia!

    De fato essa concentração na aula de ballet é muito terapêutica para mim. Deixo a sala de aula mais leve, mais feliz. E acho, pelo menos no meu caso, que uma parte dessa leveza vem da humildade que é encontrada em sala de aula. O espelho é a minha ferramenta para destruição de minha teomania, pois ele está sempre lá dizendo que preciso reaprender, baixar a bola (a perna, o quadril…), refazer. É um ótimo (pra não dizer o melhor) exercício de humildade, pois não tem como você falar que sabe alguma coisa, que entende algo sem ter que se entender com o espelho. Ele é a prova concreta que você está no processo de aprenzidado. Um processo que bem feito, bem dirigido ( te dedico, Maestra :* ) é um processo viciante e apaixonante.
    Bisous!

    • BalletAdultoKR says:

      LInda Karin…

      MInha maior luta diária é permanecer uma eterna aprendiz, e que delicia conseguir isso tendo vocês como meus professores!!!!

      Minhas aulas e meus olhares são moldados com o que trazem. E sim o MAIOR exercício de humildade. E as incurssões de saberes, os questionamentos a mim dirigidos, são trocas. E eu digo: aceitar o não saber é o grande passo a caminho do saber.

      Amo cada momento, cada jeito, cada produção.

      Obrigada.

      bisous!!!!

  7. rosa nogueira says:

    Querida Karen , estou encantada com este blog!!!!Não sei por onde começar, pois quero dizer muitas coisas. Voce escreve muito bem , dizendo coisas verdadeiras , que soam absolutamente sinceras e falam de vida, de experiencia, de entendimento, de humildade e entusiasmo. Alguns trechos dá vontade de chorar e outros de copiar. Existe idade para começar? E voce responde que nem a idade,nem o peso ou altura serão motivos para desistir. Tenho 62 anos e comecei apenas há um ano, depois de um acidente e uma perna quebrada. Não pretendo ser uma bailarina, mas não posso deixar de agradecer pelo dia em que comecei meus primeiros exercícios . A música sempre me agradou . Fiz Yoga e Pilates, mas sonhava em que tivesse uma aula de ballet para adultos em minha cidade. Um dia aconteceu!!! E eu pude ir. Foi e é lindo sentir que hoje tudo mudou para mim. Descobri que posso fazer coisas que achava impossiveis. A minha alegria aumentou e fiquei mais livre e confiante. É tudo tão lindo e inexplicável que resolvi criar um blog e partilhar com algumas colegas o desejo de escrever. O professor é destes que só te fazem amar cada vez mais o ballet e respeitar a tua própria maneira de ser e expressar. Meus antigos medos foram substituídos pela confiança e aceitação de meus limites. Agora descobri teu blog e vejo em cada palavra quase a tradução do que eu penso e sinto . Por isso estou encantada no sentido quase literal da palavra.
    Resta agradecer a quem como tu sabe transmitir este amor em cada momento de vida
    obrigada
    beijos
    rosa
    Ps Posso copiar alguma coisa citando a fonte?

    • BalletAdultoKR says:

      QUERIDA ROSE!!!

      VOU ESCREVER EM LETRAS MAIUSCULAS PORQUE VOCÊ ME EMOCIONOU!!!
      SEr asism tradutora dos sentimentos de alguém tão especial como você que procura se emocionar com avida independente de quanto tempo já esteve desfrutando-a apenas me faz feliz por saber que eu estou no coaminho certo.
      Pode copiar e citar a fonte (por favor!)!

      DE nada e na verdade: OBRIGADA!!!

      grande beijo,

      Tia ká – Ká Ribeiro

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